Baco Exu do Blues

Tour BluesMan, Circo Voador, 2019     

Direção Artística: Gigi Barreto    

Iluminação: Samuel Betts   

Coletivo criativo: David Campbell, 

João Falsztyn e Juracy Oliveira

Cenário: Gigi Barreto
Figurino: Maika Mano

Baco é um dos maiores rappers da atualidade, de potência e poesia extraordinárias. Em cena, um vulto sutil revela-se e se esconde através de Baco: é a sua vulnerabilidade, que também expõe a face da sua força. Em sua franqueza, Baco é tão minimalista e tão simples que encontra nossa linguagem. Quando nos procurou pra vivermos juntos o processo do disco BluesMan, descobrimos nele algo como um negativo de fotografia, precisava ser revelado! Quase sem querer, e absolutamente mergulhados no processo, nasceu nossa primeira Direção Artítica, o show de um negro, baiano, com uma História de segregaçao impressa na pele.

A abertura do BluesMan é um manifesto: lançamos um áudio  impactante e casamos com ele imagens e palavras. O resultado foi um início de show com o público intensamente envolvido. Criamos duas telas imensas, que mediam 11mX3m e 7mX3m, dois muros em tensão: a maior, representando a maioria negra, massa imensa de gente desumanizada, e a menor, a minoria branca – o jogo social perverso, sem meio termo, de um lado, oprimidos, do outro lado, opressores. Na “pele” dessas telas jogamos o inegável: o que conta a História. Na tela maior, projetamos fotografias gigantescas P&B de grandes negros e negras notáveis, que mudaram rumos na História da Humanidade, e, na tela menor, palavras-chaves, pontes entre sentimento e pensamento, ratificando o manifesto de abertura.

Vestimos o artista de negro, da sua própria cor, assumindo de modo superlativo sua etnia. Banda, backing vocals estavam de cinza ou de prata e, de branco, somente suas convidadas.

Acima de Baco, criamos uma coroa de refletores, uma coroa de luz, sem meias palavras, uma coroa de poder. O lugar do poder que qualquer negro, qualquer negra, pode ocupar e que Baco conquista, quebrando esse sistema desigual.

Trouxemos, no meio do show, um bandeirão negro gigantesco que estampava “Facção Carinhosa”, um signo de união dentro deste trabalho tão afirmativo contra diversas formas de racismo, a certeza de que, apesar de tanta dor, há lugar, sim, para o afeto.

Com afeto e fé o show se encerra, nas palavras de um menino: meu nome é Caíque e eu quero ser médico.

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